reportagem

A história da Sofia e do Pedro

Sofia pediu-me para fazer um livro sobre a relação dela com Pedro. Os dois conhecem-se há cerca de oito anos e namoram desde 2010. São um casal feliz, com as suas atribulações habituais, que vivem em Inglaterra e planeiam ter um filho nos próximos tempos. Mas são mais dois enfermeiros “forçados” a emigrar.

Estava a ser difícil encontrar emprego por cá e por isso Sofia partiu à aventura. Numa primeira tentativa desistiu, cansada que estava da distância. Porém, regressada a Portugal, o cenário cinzento mantinha-se e, após novas tentativas frustradas, decidiu voltar a terras de sua majestade. Desta vez para ficar. Pedro, que até tinha um emprego estável, aguentou pouco tempo e decidiu correr atrás da sua amada. Largou um contrato sem termo, colegas, família, e partiu à aventura. É ou não é algo que se faz só por amor? Hoje, conseguem ter estabilidade suficiente para ponderar ter um filho, alugar uma casa e pensar num futuro mais risonho.

Durante estes seis anos de namoro, há imensas recordações e as fotografias que me chegaram à caixa de correio electrónico são deslumbrantes. “O Pedro adora fotografia e nós temos muita imaginação”, revelou-me numa das entrevistas. Tudo em segredo, claro, para o namorado ter a surpresa da vida dele. “Eu quero recordar o nosso percurso e fazer qualquer coisa de especial”, confidenciou-me ao telefone, através do whatsapp. “Sinto que passámos por tanta coisa, que quero que ele sinta que gosto muito dele e que para mim ele é a pessoa mais importante da minha vida”. Ufa! Tarefa complicada, como deve imaginar. Mas são estes desafios que me animam e me deixam com genica.

Há muitos pormenores nele que a deixam deliciada: a pacatez, o humor, a sinceridade, a humildade, o coração terno e, claro, aquela organização metódica com que ele pinta o seu dia a dia. O quarto está sempre num aprumo, a mesa bem posta, os ficheiros no computador perfeitamente ordenados e a casa de banho garantidamente num brinco. Ela admira aquela dedicação e capacidade inatas que, nela, saem-lhe a custo. É um conforto saber que ele está ali quando ela menos tem vontade e força para continuar. O Pedro é o amparo da Sofia, esta é a verdade.

Sofia cresceu perto de Coimbra. Em pequenina, adorava acompanhar os avós no campo. Metiam-na no burrinho e lá ia ela vê-los cavar, apanhar couves, semear batatas, tudo com o vento a bater-lhe na cara, o sol a raiar o horizonte e o céu azul, às vezes coberto de nuvens. Já Pedro é o mais novo de quatro irmãos. A gravidez foi de risco, por isso a mãe foi seguida por médicos. Tudo correu pelo melhor e ao mundo veio um menino de olhos pretos grandes e esbugalhados, sedentos de vida. Foi muito acarinhado e protegido por toda a família. É o filho caçula, mimado pelos pais e irmãos. Contudo, ao contrário do que se poderia imaginar, este excesso de atenção não o transforma num indivíduo arrogante e vaidoso, um estereotipo comum nestes casos. Bem pelo contrário, Pedro é um rapaz sensível, afável, calmo, atencioso, trabalhador e observador. Sofia e Pedro cruzam-se no Hospital de Coimbra. Primeiro, colegas no MySpace e, depois, como amigos a passear pela praia ou em caminhadas por esse Portugal fora. Hoje moram junto ao mar, numa terra pacata, na costa este da Inglaterra. A cidade tem um areal extenso, onde o mar gelado bate com força, trazendo a maresia para dentro das casas. Às vezes vão até ao Atlântico matar saudades e olhar para o horizonte. Lá ao fundo, poderá estar um menino ou uma menina. Será o fruto desta história de amor. Um pequeno ser transportará para a eternidade a existência daquele elo. Sim, em breve vão estar em casa, saboreando o cheiro do bacalhau no forno, a ouvir o vento a bater nas janelas, o frio a varrer as ruas, enquanto a televisão está ligada na BBC. E pelo meio das pernas da Sofia e do Pedro vai correr uma criança feliz, resplandecente, de gargalhadas sonoras a chamar pela mãe e pelo pai. “Mãe, pai, peguem-me ao colo”.

Ficou um livro lindo e agora é que ninguém vai poder esquecer esta união. Os altos e baixos de Pedro e Sofia. Filhos, netos, bisnetos, pais, avós, tios e tias, nunca vão esquecer esta história de amor bonita. No final, até eu fiquei emocionado com as palavras da Sofia. “Meu Deus, escreve mesmo bem. Fez-me chorar. Está perfeito, mesmo desconhecendo todos pormenores, está muito bem ficcionado”. Há dias, o livro chegou a casa dela e, num momento romântico, imagino eu, ofereceu-o ao Pedro. “Ele adorou. Disse que foi a melhor prenda que recebeu. Chorou e tudo! Muito obrigado, António”. Eu é que agradeço. Sofia, foi um prazer. Fico tão contente que tenham gostado. Desejo-lhe a si e ao Pedro toda a felicidade do mundo!

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