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Imortalizar um amor

Foi uma das tarefas mais duras que tive até agora no “Conta-me Histórias”: fazer um livro para alguém que já faleceu. Nunca tinha feito algo do género e quando a Cátia me contactou fiquei um pouco assustado com a tarefa. João, marido de Cátia, faleceu em julho de 2015, vítima de cancro. A história contei-a aqui há poucos dias e, à parte todo o drama, é uma prova de força e coragem de duas pessoas apaixonadas, que estiveram casadas durante uma década e, como tal, têm recordações únicas. Sou suspeito para escrever isto, mas desconheço melhor maneira de imortalizar a vida de alguém que não seja escrevendo um livro. Por isso, enfrentei o pedido da Cátia como um desafio e aceitei o projeto.

Confesso que, ao telefone, houve momentos em que estive emocionado, pronto a ir às lágrimas. Mas a força do outro lado da linha, a gargalhadas e a simpatia fizeram-me perceber que a Cátia é um exemplo de coragem e determinação. Atualmente, é voluntária num hospital e numa creche. Passa o tempo a ajudar os outros, esquece as tristezas e homenageia a memória do seu amado que, de certeza, está cheio de orgulho dela. “Ele disse-me para nunca deixar de ser feliz e de continuar a viajar como se ele estivesse ao meu lado”. Cátia já foi a Istambul, Madeira, Cabo Verde e há planos para continuar. Agora, pode juntar este livro, esta pequena obra de luxo, onde guarda fotografias e um texto que imortaliza a memória de um dos homens mais importantes na vida de Cátia. No futuro, ninguém, mas ninguém, poderá apagar o amor que Cátia e João viveram. Felicidades, Cátia.

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